“Navegar é preciso!”: Uma reflexão sobre a importância do domínio da medição do tempo na navegação contemporânea
Mots-clés :
Serviço da Hora, tempo, PNT, resiliência, satélites, navegaçãoRésumé
Este artigo aborda a importância
do domínio do tempo para assegurar a
capacidade de navegar com a precisão
necessária. Neste contexto, ressalta-se o
papel do Serviço da Hora que, no Brasil, a
cargo do Observatório Nacional (ON), tem a
atribuição de definir, manter e divulgar a Hora
Legal Brasileira (HLB) em conformidade com
os padrões internacionais de modo a guardar
a sua natural coerência com a rotação da
terra. Inicialmente, apresenta-se um breve
histórico com alguns dos principais conceitos
e métodos desenvolvidos pela humanidade
a respeito do tempo e sua medição até o
estágio atual, em que relógios atômicos são
utilizados para assegurar precisão quase
perfeita. Este avanço tecnológico tem sido
útil a uma parametrização internacional
da contagem do tempo de maneira a
garantir a devida correlação entre a hora
fisicamente determinada e aquela definida,
por convenção, em prol de um sincronismo
em âmbito global. Neste contexto, nota-se
a relevância do Serviço da Hora para
sistemas críticos em larga escala, como
telecomunicações, redes elétricas, padrões
de certificação eletrônica com carimbo
de tempo e, especialmente, aplicações
de Positioning, Navigation and Timing
(PNT) para navegação marítima, terrestre
e aeroespacial. Conclui-se que a adequada
precisão temporal é imprescindível à
resiliência das infraestruturas de serviços
essenciais à sociedade, especialmente, à
navegação segura e eficaz. Tal realidade
exige atenção aos riscos de interferências
intencionais e fenômenos físicos naturais
que podem impactar o funcionamento dos
sistemas de posicionamento via satélite,
Global Navigation Satellite System (GNSS),
os quais dependem de adequada medição
do tempo. Neste diapasão, amparando-
se em eventos históricos e casos recentes,
aponta-se a importância de mecanismos
de contingência que recorrem às técnicas
basilares de navegação, a exemplo da
obtenção e manutenção da hora oficial
onde quer que se navegue sem o auxílio
de comunicação satelital. A atividade
exercida pela Divisão Serviço da Hora
(DISHO) do ON brasileiro, aliada ao emprego
de cronômetros marítimos a bordo dos
navios da Marinha do Brasil, é um exemplo
consonante com a crescente demanda
por resiliência de sistemas PNT. Trata-se,
portanto, da relevância do compreender e
aplicar técnicas básicas, como alternativas à
dependência de satélites, sobretudo, em um
contexto geopolítico e geofísico que ressalta,
de forma recorrente, as vulnerabilidades
geradas pelo excesso de confiança em
tecnologias de ponta incorporadas ao dia-a-
dia dos navegantes.
