Batalha de Tannenberg
Estratégia, cultura e memória
Resumo
A presente investigação analisa a Batalha de Tannenberg (agosto de 1914) em três níveis interdependentes: estratégico-operacional, historiográfico e memorial. Parte-se da historiografia militar clássica da Frente Oriental para, em diálogo com a história cultural da guerra e com a teoria da memória coletiva, problematizar o processo de transformação de um episódio operacional em mito fundador da identidade bélica alemã na Primeira Guerra Mundial. Argumenta-se que Tannen-berg não pode ser compreendida apenas como vitória tática, decorrente da mobi-lidade ferroviária e da exploração de falhas russas, mas como evento progressiva-mente ressignificado por dispositivos simbólicos que articulam passado medieval, nacionalismo e cultura da guerra total. O estudo mobiliza a obra de Dennis Showal-ter, Norman Stone e Holger Herwig, articulando-a com as formulações de Maurice Halbwachs, George Mosse e Jay Winter sobre memória e sacralização da morte em massa. O artigo também dialoga com a historiografia brasileira sobre a Primeira Guerra Mundial, inserindo a análise no campo mais amplo dos estudos da guerra no Brasil.
