A Lei na ponta do lápis
a reforma do recrutamento de 1874 sob o olhar da sátira política (1874-1875)
Mots-clés :
Recrutamento, Império, tensões sociaisRésumé
Este artigo analisa as representações da imprensa satírica acerca da implementação da Lei nº 2.556, de 26 de setembro de 1874, conhecida como Lei do Recrutamento Militar de 1874. O problema central de pesquisa busca compreender como o diálogo satírico articulou as tensões sociais e políticas geradas pela transição do recrutamento forçado para o sistema de sorteio no Brasil Imperial. Metodologicamente, a investigação fundamenta-se nos pressupostos da Nova História Militar, utilizando como fontes primárias os periódicos O Mosquito, Semana Illustrada e A Vida Fluminense, entre o ano de aprovação da lei e o subsequente. Os resultados indicam que, apesar da tentativa de modernização legislativa, a reforma foi não foi aderida e legitimada pelas camadas populares. A análise das sátiras revela que a população utilizou mecanismos de resistência e negociação, como o movimento "rasga-listas" e o uso estratégico do matrimônio para evasão do serviço militar.
