Entre a atuação militar e a construção da memória
o marquês de Barbacena na campanha da Cisplatina
Palavras-chave:
Guerra da Cisplatina, Barbacena, Memória Histórica, Batalha do Passo do Rosário, HistoriografiaResumo
O artigo analisa a atuação do marquês de Barbacena na Guerra da Cisplatina (1825-1828), articulando sua trajetória militar às disputas políticas do Primeiro Reinado e aos processos de construção da memória histórica. Inserido no debate historiográfico recente, o estudo propõe compreender o conflito para além de sua dimensão estritamente militar, destacando suas implicações políticas e diplomáticas na formação do Estado imperial brasileiro. A partir de uma abordagem de micro-história, examinam-se fontes memorialísticas, biográficas e impressos da época, evidenciando como a imagem de Barbacena foi construída, disputada e reelaborada ao longo do século XIX. O artigo enfatiza os processos de construção da memória tanto do personagem quanto do próprio conflito, em especial da Batalha do Passo do Rosário, demonstrando como diferentes agentes — contemporâneos, memorialistas e biógrafos — selecionaram, reinterpretaram e enquadraram os acontecimentos para produzir sentidos distintos sobre o episódio. Nesse processo, críticas e defesas de sua atuação militar foram mobilizadas como instrumentos de disputas políticas, enquanto iniciativas posteriores, inclusive de seus filhos e do IHGB, buscaram consolidar uma memória mais favorável do marquês e relativizar o desfecho do embate platino.

